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21/11/18

Blindamos qualquer carro

A empresária Flora Gil, mulher do então ministro da Cultura Gilberto Gil, e sua irmã Fátima Giordano foram abordadas por dois criminosos armados quando entravam no seu Volvo, na esquina das ruas Visconde de Caravelas com Capitão Salomão, às 18h30 de 10 de junho de 2005. Em um ato de reflexo, Fátima bateu a porta com força e prendeu a mão esquerda de um dos assaltantes. A partir daí, as irmãs passaram a viver momentos de pânico. Com a mão esmagada, o homem descarregou a munição do revólver calibre 38, à queima-roupa, na direção da janela de Fátima. Ela acionou o alarme do veículo e pediu desesperada ajuda, pelo microfone do carro, aos gritos. Os ladrões atiraram 16 vezes contra o carro, buscaram atingir o mesmo lugar, para tentar fazer com que o vidro cedesse.

‘Quanto mais próximo o tiro, mais seguro para o motorista do carro blindado’, afirma representante da MF4 Blindados
“Fátima teve uma atitude corajosa de fechar a porta. Graças a Deus, o carro blindado nos salvou. Neste momento, só me lembro da música do Gil que diz “Andar com fé eu vou, que a fé não costuma faiá”, lembrou Flora. O que o criminoso não sabia é que “quanto mais de perto o tiro mais seguro para quem está dentro do carro e pior para quem está atirando, porque receberá muitos estilhaços”, conforme explicou à AMAERJ o representante comercial da MF4 Blindados Ronaldo Brandini. “É preciso ter calma para sair desse tipo de situação”, afirmou. Em meio à insegurança das grandes cidades do país, no Rio de Janeiro, o mercado de blindagem de veículos cresceu 15,5% de 2013 para 2014. Embora tenha tido uma expressiva queda no número de homicídios – e com a menor taxa de homicídios desde 1991 –, o mercado fluminense cresceu 21% no ano passado. De acordo com o último levantamento da Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin), em 2014 foram blindados cerca de 12 mil carros no país, recorde pelo quinto ano consecutivo. Mesmo com o país em crise financeira, os usuários continuam a investir em segurança. Sediada no Rio de Janeiro, a MF4 Blindados produz de 25 a 30 unidades por mês, em média, nas suas quatro linhas de montagem, em um galpão de 3 mil m2. Com oito anos de mercado, é a maior montadora no Estado. A empresa firmou acordo com a AMAERJ em fevereiro e oferece descontos especiais para associados. Nesse período, o convênio já resultou na contratação de uma blindagem – o carro está na linha de montagem – e mais dois magistrados solicitaram orçamento. A parceria concede aos associados descontos de 12% a 16% no valor do serviço. Como se blinda um carro O processo de blindagem é dividido em quatro etapas. O primeiro passo é a desmontagem: o carro “fica no osso”, e as peças e bancos são embalados em plástico-bolha, onde ficam armazenados até o veículo ser remontado. Na etapa seguinte, o automóvel é revestido por uma manta impermeabilizante ultrarresistente – junção de nove tecidos, como a fibra de aramida balística laminada, que são prensados e se tornam mais resistentes que uma placa de aço.  Na terceira fase, o veículo é revestido com placas de aço inox. A segunda e a terceira etapas são chamadas de blindagem opaca. O último passo é a blindagem transparente, é a montagem, quando os vidros são inseridos e as peças recolocadas.Em seguida, os veículos passam pelo “teste de tempestade”, uma área fechada com 12 chuveiros que simulam tormentas para verificar se há algum vazamento. Um profissional fica no carro para validar a aprovação ou indicar a necessidade de algum reparo. O processo completo de blindagem leva 35 dias úteis. Caso o modelo seja um lançamento e nunca tenha sido blindado pela empresa, o prazo passa pra 60 dias úteis. Em um carro blindado, apenas os vidros dianteiros podem ser baixados, por questão de segurança. “Quem comanda o carro o carro é o motorista, ele tem o controle. É uma regra mundial”, explica Ronaldo Brandini. O vidro padrão tem 21mm de espessura, mas a MF4 já dispõe de um modelo mais moderno, com a mesma proteção balística e apenas 17mm, que deixam o carro mais leve e ágil. Todo carro blindado precisa de autorização do Exército – providenciada pela montadora –, e a informação deve ser incluída no documento do carro. Pessoas que tenham condenações judiciais por crime ou respondam a processo criminal, ou pela Lei Maria da Penha, por exemplo, não podem ter veículos blindados. A empresa trabalha com confidencialidade. As placas de identificação do Detran são cobertas assim que os veículos entram na linha de produção para preservar a identidade dos donos e impedir o reconhecimento dos carros. IMG_6231

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